Quarta-feira, 1 de Abril de 2009

O que é afinal o Design? Design é Arte?

Provavelmente esta será a questão mais debatida por críticos, designers, historiadores e criativos em geral: o que é o Design? é Arte? Como se pode encaixar o Design como disciplina? Quais as suas limitações e onde se aproxima ou afasta da criação artística?

Será necessário começar com duas importantes teorias sobre o Design: Victor Papanek (em Design for the Real World) disse: "Todos os homens são designers. Tudo o que fazemos, quase todo o tempo é Design. O planeamento e a configuração de qualquer acto tendo em vista uma finalidade constitui o processo de Design."
Todo o Design pressupõe a resolução de um problema utilizando um método projectual. Tem a função de simplificar e melhorar a vida dos homens. Procura como acção ética libertar o homem de tarefas exaustivas, apoiar a diversidade cultural e aumentar a sustentabilidade global diminuindo ao máximo os danos ecológicos que advertem da produção industrial.
"Design não é apenas criar um objecto, mas tudo o que está associado a esse processo." (Horst Oehlke).
O design não se limita à criação por si só, como acto isolado, assenta em bases ergonómicas e antropométricas que visa responder e solucionar determinadas questões.
"Assim o termo designer refere-se não só a alguém que fornece um serviço a uma empresa mas a um indivíduo que pratica uma profissão intelectual" (ICSID).
Criar de dentro pra fora.

Com isto, existem limitações reais que têm que ser pensadas, calculadas e experimentadas e por isso não se pode inserir categoricamente o Design na Arte ou nas chamadas "belas artes". Se pensarmos que no bom design/boa concepção "a forma segue a função", a forma- componente estética ficará para segundo plano, sendo uma consequência da função utilitária do objecto. Logo se existe uma comparação com a Arte e se considerarmos que toda a Arte é livre de limitações, é a liberdade total do artista, o Design nunca poderá fazer parte dela.
Mas como o "meio é a matéria" o meio pressupõe uma mensagem transmitida pela matéria (material) que comunica com o utilizador. É neste ponto que me posso sustentar para dizer que o Design toca na Arte, visto que comunica igualmente usando códigos estéticos. Embora a Arte tenha o objectivo de tornar a vida mais bela, de mexer com os nossos sentimentos e de nos fazer aceitar as ideias dos outros com a mesma liberdade que defendemos as nossas.

Portanto, o Design só se aproxima da Arte quando apela aos nossos sentimentos, caso contrário não existiriam objectos de culto ou objectos com valor afectivo, aqueles que guardam vivências e recordações. Esses objectos muitas vezes não são exemplares únicos mas não deixam de nos completar como pessoas, de fazer parte integrante de nós, todos os dias. Aí sim, o Design ultrapassa os seus limites primários e culmina no expoente máximo, que cada designer pode ambicionar quando projecta um objecto.
"A finalidade última do Design é transformar o ambiente e as ferramentas humanas e, consequentemente, o próprio homem." (ICSID)

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